terça-feira, 30 de junho de 2009

Poeta António de Sousa Freitas

António Sousa Freitas (Buarcos, 1 de Janeiro de 1921 - Lisboa, 30 de Junho de 2004), poeta e letrista português, distinguido com o Prémio Antero de Quental, em 1951, e com o Prémio Camilo Pessanha, em 1958, e agraciado com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 1985, pelo então Presidente da República Ramalho Eanes.

Biografia

Nascido em Buarcos, concelho da Figueira da Foz, a 1 de Janeiro de 1921 (embora no bilhete de identidade constasse sempre 5 de Janeiro, devido a um atraso no registo), António de Sousa Freitas iniciou o seu percurso literário durante os tempos de estudante em Coimbra (1939-1942).

A sua passagem por Coimbra, onde deixou incompleto o curso de Direito, ficou marcada pelas colaborações no jornal universitário "Via Latina", pela fundação do jornal humorístico "Poney" e pelas diversas tertúlias literárias na companhia de figuras como Fernando Namora, João José Cochofel, Joaquim Namorado, José Brandão, Pina Martins, Carlos Oliveira e Álvaro Feijó.

Foi ainda colaborador pontual da revista "Flama" e dos jornais "Diário Popular", "Diário de Lisboa", "Século Ilustrado", "Diário do Norte" e "Diário Ilustrado", entre outros.

Em 1940, António Sousa Freitas fez a sua estreia poética com "Anita", uma colectânea de poemas de amor dedicados à primeira namorada. Este primeiro livro viria a ser considerado pelo autor como tendo pouco significado na sua vida literária.

Em 1945 mudou-se para Lisboa, passou depois um ano em Leiria, após o que regressou à capital, onde se tornou Director de Serviços de Informação Médica num laboratório de especialidades farmacêuticas, cargo que manteve entre 1951 e 1983.

No âmbito dessa experiência, colaborou no jornal "Semana Médica" e - em parceria com Jorge Ferreira da Silva - fundou o jornal "Saúde", pertencente à Sociedade Semana Médica, do qual foi editor.

Entre 1952 e 1963 colaborou nos programas da Emissora Nacional "Ouvindo as Estrelas" e "Canções de Portugal", ambos com textos de sua autoria, e nas rubricas "Poetas de Ontem e de Hoje" e "Escaparate - Novidades Literárias", com texto e locução a seu cargo, no Rádio Clube Português.

Além da presença na rádio, colaborou com a RTP, tendo ainda participado em programas publicitários da Robbialac e sido júri de vários concursos literários, caso dos Jogos Florais da CUF.

Entretanto, a 30 de Junho de 1954, tornara-se beneficiário da Sociedade Portuguesa de Autores com o nome de António de Freitas, passando a cooperante a 16 de Maio de 1979.

Enquanto letrista, escreveu canções musicadas pelos maestros Joaquim Luís Gomes e Nóbrega e Sousa e interpretadas por artistas como Simone de Oliveira, Maria de Lourdes Resende, Maria Clara, João Maria Tudela, António Calvário, Paulo Alexandre, Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, João Braga, Ada de Castro, Maria da Fé, Sérgio Borges ou Marina Neves.

Na mesma área, integrou vários júris de Festivais da Canção, com David Mourão-Ferreira, Pedro Homem de Mello e outros nomes ligados à poesia e à música.

Em 1969, fundou o Gabinete Português de Medalhística, onde trabalhou com o escultor Cabral Antunes, tendo sido grande impulsionador do coleccionismo nesta área em Portugal, o que foi reconhecido tanto por coleccionadores como pelo próprio Estado.

Em 1990, António Sousa Freitas foi homenageado pela Câmara Municipal da Figueira da Foz por ser o autor da "Canção da Figueira", tendo sido colocada uma placa com o seu nome no Casino Peninsular daquela cidade e recebido a Medalha de Mérito, em ouro.

Na sua terra natal, Buarcos, existe também uma rua com o seu nome.

António Sousa Freitas (que assinou obras literárias também como A. Sousa Freitas e António de Sousa Freitas), faleceu a 30 de Junho de 2004 no Hospital Pulido Valente. O seu corpo foi cremado e as cinzas lançadas ao mar que tanto cantara na poesia.

Obras publicadas

O poeta (que se afirmava neo-lírico) publicou as seguintes obras:

* Anita - 1940
* Abordagem - 1950 (Prémio Antero de Quental)
* Regresso - 1951
* Poemas do Anjo e da Hora - 1952
* Quatro Poemas de Natal - 1954
* Aventura - 1956
* África e Outros Poemas - 1958 (Prémio Camilo Pessanha)
* Para o Amor o Silêncio e Poemas Escolhidos - 1961
* 10 Poemas de Natal - 1964
* Três Contos para o Natal - 1965
* Longa Noite Novo Dia - 1966
* Requiem por Todos Nós - 1967
* Diário para Um Só Dia - 1968
* Natal - 1975
* 10 Vilancetes para o Menino Jesus - 1980
* Longa Noite Novo Dia - 1982 (Título que inclui diversos livros do autor sobre o Natal)
* Novamente Aventura - 1994 (Antologia com poemas seleccionados de obras anterior

CANÇÃO DA FIGUEIRA DA FOZ
António Sousa Freitas / Nóbrega e Sousa
A Canção da Figueira da Foz ficou popularizada na voz de Maria Clara

Figueira, Figueira da Foz
Das finas areias
Berço de sereias
Procurando abrigo.

Estrelas, doiradas estrelas
Enfeitam o Mar
Que pede a chorar
Para casar contigo.

Figueira, e à noite o luar,
Deita-se a teu lado
A fazer ciúmes
Ao teu namorado.

E a Serra, que te adora e deseja,
Também sofre com a luz do Sol
Que te abraça e te beija.

Riam-se com este artigo do Ricardo Araújo Pereira

Criancinhas explicadas a Sócrates

O leitor habitual desta coluna, acostumado aos prodígios estilísticos do autor, já percebeu que, uma vez mais, há malandrice no título - e é da sofisticada. Reparou certamente que se trata da inversão da vulgar fórmula "X explicado às criancinhas" em que, no lugar do X, costuma estar um conceito complicado. Aqui, em lugar de explicar o complexo aos simples, pretende-se explicar os simples ao complexo. Isto supondo que Sócrates é complexo, o que infelizmente não se verifica: é, aliás, por isso que sinto necessidade de lhe explicar como funcionam as coisas simples. Será interessante constatar, no entanto, que Sócrates, não sendo complexo, possui vários complexos. O mais proeminente é, neste momento, o complexo de inferioridade provocado pelos resultados das eleições europeias. O primeiro-ministro sabe que, por culpa própria, parte em desvantagem para as legislativas, e portanto resolveu seguir a estratégia pueril das crianças mal comportadas na véspera de Natal: adoptam a postura suave e sonsa de quem nunca fez traquinices, comem a sopa até ao fim e prometem dotar mais generosamente o orçamento da cultura. A grande maioria dos miúdos, não por acaso, esquece este último ponto: o objectivo do estratagema é agradar, e se há coisa de que as pessoas não gostam é de quem promete dar dinheiro aos artistas. Não devemos esquecer que, em português, a palavra "artista" é polissémica a ponto de permitir designar tanto a Paula Rego como os automobilistas que fazem idiotices no trânsito, sendo que é usada muito mais vezes para caracterizar os segundos do que a primeira.

É incompreensível, portanto, que Sócrates anuncie medidas impopulares tão próximo das eleições. E a atitude mansa e benevolente, além de soar a falso, revela pouco sentido de estado: não me lembro de alguma vez termos tido um primeiro-ministro bonzinho (e sublinho também a polissemia da palavra "bonzinho").
Por outro lado, o novo comportamento do primeiro-ministro aproxima-o dos grandes estadistas. As semelhanças entre Sócrates e Obama são cada vez maiores: Obama matou uma mosca durante uma entrevista; Sócrates deu uma entrevista em que parecia uma mosca morta. Não sei se o leitor viu as imagens: incomodado por uma mosca enquanto falava com um jornalista, Obama esperou que o bicho pousasse e matou-o. Em situação idêntica, o Sócrates dos bons velhos tempos também matava a mosca. E o jornalista. Agora, na impossibilidade de entrar a matar, o primeiro-ministro mortifica-se. Vendo bem, Sócrates não mudou muito: dantes, amesquinhava os outros; agora, reverte o amesquinhamento para si próprio. No fundo, não deixou de amesquinhar. Como é evidente, prefiro o Sócrates original e autêntico: não me importo nada quando amesquinha jornalistas e adversários, mas levo a mal que amesquinhe o primeiro-ministro do meu país. Acho uma indignidade. Sobretudo porque me deixa sem nada para fazer.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Blogagem colectiva sobre Drogas- dia internacional da droga

Nos tempos que correm devido á crise económica e social que se faz sentir,muitas são as pessoas que se metem no vicio da droga,no entanto não são apenas as pessoas afectadas pela crise,visto que é um vicio que afecta também a classe alta,muito possivelmente porque os pais desses jovens apenas pensam em dinheiro,negócios e não dão o amor que é necessário aos jovens e os compreendem,sendo este também um vicio adquirido através dos grupos de amigos,onde alguém acaba de experimentar e é dificil depois largar o vicio.
Não deve ser proibido visto que isso teria consequências mais drásticas ainda,no entanto devem ser feitas campanhas contra a droga,que falem dos maleficios do seu uso,deve ser nas escolas e mais ainda pelos pais,falado esse assunto e quem já tem o vicio deve ser incentivado pela familia ,por médicos e outros,a largar o vicio,a fazer uma desintoxicação,é importante.
Deve também aos que já deixaram e querem ter o seu projecto de vida,ser dada essa opurtunidade,haver emprego para essas pessoas,organizações que os acolham,porque as pessoas não devem ser discriminadas.
Claro que se fala mais em drogas pesadas,no entanto o tabaco é também ele uma droga mas mais leve,e até o alcool é uma droga e um vicio também complicado de largar,sem haver incentivos de várias partes para quem consome se consiga curar.
Penso que este é um assunto que é muito importante estar a ser divulgado,e é sempre importante alertar para os seus maleficiose também informar sobre locais onde as pessoas possam ir,ou as medidas a tomar para se curarem e ainda informar das organizações mesmo que sem fins lucrativos que integram estas pessoas na Sociedade,são meio caminho andado para que estas pessoas nunca mais voltem ás drogas,é como que uma luz ao fundo do túnel,e faz com que as pessoas se sintam úteis e pensem que não é por exemplo com o alcool ou drogas pesadas e dar cabo da vida que ficam bem e que resolvem os problemas.
Sentirem-se úteis e serem aceites,faz até com que se arrependam de terem entrado nesses vicios.

domingo, 21 de junho de 2009

Minha música meu momento- blogagem colectiva



Esta blogagem colectiva para comemorar o dia internacional da música foi uma iniciativa do blogue orgulho de ser,mais uma boa iniciativa em que vou ter o prazer de participar.
Música,gosto muito de vários estilos,depende também do estado de espirito e da ocasião em que é ouvida.Gosto desde música clássica,até música de dança,e até mesmo de música de outros tempos de cantores como Zeca Afonso por exemplo.
No entanto há sempre aquelas músicas bonitas que nos marcam,pelo momento,pela companhia,pela voz de quem cantou.
Assim poderia falar de muitas músicas até daquelas da infância,há tantas que se pode falar,mas vou postar sobre um grupo fantástico,que toda a gente gosta,que tem músicas bonitas,já não é novo mas continua sempre na história nunca passa de moda e traz boas recordações quando se ouve algumas das músicas.
Assim aqui vai uma das músicas que mais gosto dos Queen,do saudoso Fredy Mercury.


Love Of My Life - Queen

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Que lugar te faz sentir em casa? - blogagem colectiva



O lugar onde me sinto em casa,no caso deste tema poderia falar em casas,terras,no verde das paisagens,no mar,muita coisa, não é um tema fácil,no entanto resolvi na minha postagem falar de um lugar especial.
Este lugar é um orgão do nosso corpo,um orgão especial,fantástico,poderoso,um músculo potente que nos dá vida ao trabalhar em conjunto com os outros orgãos,é um bom lider.
Mas é neste orgão e é isso que o faz especial,que moram as nossas emoções,os nossos sentimentos,é ele que nos faz sentir nas nuvens,que palpita em determinadas situações,que nos faz amar,é no seu baú que estão guardadas algumas recordações e memórias e sonhos,neste orgão e obviamente que no cérebro,o seu principal aliado.
Mais importante ainda é que é neste lugar especial que todas as pessoas que gostamos e são especiais para nós estão guardadas,sempre num cantinho deste lugar,por isso mesmo digo que é o coração que me faz sentir em casa,é meu e tem lá sempre dentro quem eu gosto e muitas vezes tem também a alegria e luz e cores do arco iris,estando tudo bem protegido e fechado a sete chaves,para evitar que a tristeza e a escuridão entrem dentro dele.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Insónias e saudades





Eram 3 da manhã
ainda não dormia
os pensamentos,ideias,interrogações
iam e vinham
e cruzavam-se no meu cérebro
fazendo-me pensar
reflectir
interrogar.
Pensava em ti,
o que estarias a fazer,
como estarias aquelas horas?
obviamente que a dormir
e eu que não adormecia
era como teu anjo da guarda
que guardava o teu sono
te protegia.
Imaginei-te deitado na tua cama
onde dormias sem preocupações.
Mas será que quando
foste dormir
te deitaste com um grande sorriso,
com uma atitude positiva
de esperança
ou pelo contrário
com uma atitude pessimista
por algo que aconteceu
durante o dia,
por alguma adversidade da vida
ou por no teu cérebro
teres remexido nas entranhas
do passado?.
Não sou médium
nem tão pouco
vidente,
mas já te conheço
sei como estás
mesmo quando teclas de cá para la,
porque mesmo com a distância
estás no pensamento
e dentro do coração
todas as horas.
Conheço as tuas atitudes,
sei ver nos teus olhos
expressivos,
os sentimentos que te
vão na alma,
o que queres dizer
mesmo sem palavras.
Sinto em ti
um certo nervoso miudinho,
será ansiedade,
orgulho do teu feito
que poucos conseguem,
expectativa da novidade,
ou algum medo
da partida
da saudade?.
Imagino a correr tudo bem
e sei que vai ser assim
imagino a emoção da partida
e o ânimo e orgulho na chegada.
Também muito me orgulho de ti,
és um herói
conseguiste concretizar
parte do teu sonho,
porque lutas com
grandes garras
e tens muita força.

Sabes amigo
a mim levas-me no coração
e sei que prometes voltar,
porque as saudades
custam a passar.

Susana Garcia

terça-feira, 2 de junho de 2009

As amoras






O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.


Eugénio de Andrade